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Sustentabilidade

O desafio da Sustentabilidade já não reside primariamente nas instâncias nacionais. Portugal viveu uma profunda alteração de paradigma há cerca de 50 anos, transformando-se de um país semianalfabeto num país de conhecimento, formado, tecnológico, bilingue, com amplo acesso ao saber e à academia.

As gerações atuais beneficiam de acesso igualitário ao conhecimento. Por conseguinte, a sustentabilidade é hoje uma questão de consciência e não de desconhecimento, de falta de preparação ou de um problema meramente cultural.

 

As universidades têm vindo a formar técnicos de excelência, mas é crucial que sejam acompanhados por empresários conscientes e sensibilizados. O lucro e a economia têm de se aliar intrinsecamente à sustentabilidade, pois sem ela, não haverá desenvolvimento nem equilíbrio duradouro.

 

Desde o final da década de 90, emergiu um novo paradigma relativamente aos resíduos: deixaram de ser vistos como “lixo” para serem reconhecidos como recursos, como algo com valor. Esta mudança levou ao encerramento das lixeiras, verdadeiros cancros ambientais, à construção de infraestruturas modernas próprias para o tratamento de resíduos e à implementação da recolha seletiva de embalagens, inicialmente, baseada na política dos 3 R’s.

 

Contudo, perante um Mundo que, também nos últimos 50 anos, duplicou a população, onde os recursos são cada vez mais escassos e o consumo é cada vez mais elevado, não basta focar as campanhas de sensibilização unicamente na reciclagem. É imperativo que olhemos para os 5 R’s: Repensar, Recusar, Reduzir, Reutilizar e Reciclar.

 

Repensar, questionar comportamentos e a real necessidade de determinados produtos e serviços, promovendo um consumo mais consciente e responsável.

 

Recusar: evitar produtos de que não precisamos, que geram impactos ambientais ou sociais negativos.

 

Reduzir: diminuir o consumo geral de bens, evitando o desperdício e a aquisição de produtos desnecessários.

 

Reutilizar: dar uma nova vida a objetos e materiais, consertando-os, doando-os ou transformando-os para outros fins.

 

Reciclar: Por último, separar corretamente os materiais que podem ser reprocessados para se tornarem novos produtos, depositando-os nos ecopontos ou contentores adequados.

 

Neste contexto, aqueles que idealizam os produtos e as construções têm uma enorme responsabilidade: devem torná-los inerentemente sustentáveis, reutilizáveis e duradouros.

 

Como podemos competir globalmente com empresas que já aplicam o modelo de economia circular, se ainda subsistem empresários que, no final do dia, instruem os seus colaboradores a descartar resíduos na envolvente dos ecopontos ou a não fazer a separação correta?

 

Felizmente, já existem empresários com visão de economia circular. O nosso foco deve ser alterar mentalidades e massificar a educação e sensibilização ambiental, dirigidas não só a crianças e jovens, mas crucialmente aos empresários, para que estes comportamentos negativos sejam erradicados e se transformem em modelos de eficiência e sucesso.

 

Enquanto houver atores a colocar resíduos fora dos contentores, ou a depositar entulho e restos de construção nos ecopontos, não haverá modelo de recolha que se sustente nem sustentabilidade que seja plenamente atingida.

 

A jornada da sustentabilidade em Portugal pode ser vista como a transição da economia de subsistência para a economia circular. No entanto, ainda há um longo caminho a percorrer para integrar na prática aqueles que ainda não adotaram este novo modelo.

 

Um país sem sustentabilidade é um país sem futuro.

 

Pedro Machado, Diretor Geral da Braval