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Sustentabilidade nas PMEs não existe sem digitalização

Quando se fala de sustentabilidade nas empresas, a maioria das pessoas pensa imediatamente em reporte. Reporte para os clientes, cálculo da pegada de carbono da organização e dos produtos, consumos de energia, de água e gestão de resíduos. Na verdade, o reporte é a última etapa do processo de transformação de uma organização numa empresa sustentável. Antes, é necessário conhecer o ponto de partida. 

 

Para tal, o projeto Sustainability Leaders desenvolveu o Barómetro de Sustentabilidade Empresarial, para que as PME conheçam a sua maturidade ESG (Environmental, Social and Governance). Esta ferramenta permite fazer um ponto da situação e, a partir daí, traçar objetivos e elaborar planos de sustentabilidade com KPI definidos e mensuráveis, de modo a serem integrados nos seus relatórios.

 

No entanto, muitas empresas ainda não vêm a sustentabilidade como um potencial motor de eficiência e de diferenciação no mercado. Tal situação é evidente no Eurobarómetro de 2024 relativo às PMEs, Eficiência dos Recursos e Mercados Verdes: apenas 26 % das empresas portuguesas que responderam oferecem produtos ou serviços verdes. Tal demonstra a necessidade de construir modelos de negócio sustentáveis, que permitam às empresas gerar lucro ou reduzir custos através da sustentabilidade.

 

O papel das tecnologias estratégicas

Para que estes modelos de negócio sustentáveis se tornem uma realidade, é necessário investir em tecnologias estratégias, tais como a Inteligência Artificial e a Nanoengenharia, captura de carbono e respetivo armazenamento ou utilização, só a título de exemplo. Estes investimentos são fundamentais para uma económica de baixo carbono, onde o carbono deve ser tratado como um recurso, reduzindo a sua concentração na atmosfera e, consequentemente, os efeitos das alterações climáticas. As tecnologias estratégias mencionadas, definidas na plataforma STEP, são também necessárias para combater a dependência da economia europeia face às matérias-primas críticas que o território europeu não possui em abundância. 

 

A digitalização como alicerce

Muitas das tecnologias estratégias dependem estritamente da digitalização, sem a qual não será possível concretizar os avanços necessários para uma Europa resiliente e próspera. Para uma PME, a digitalização será o primeiro e mais exigente passo. Significa que a empresa passará a basear as suas decisões nos dados, recolhidos através de processos automatizados e tratados, assim como recorrer a algoritmos inteligentes nos seus processos. Esta transição permitirá ganhos na produção, com a redução dos custos de produção e do consumo das matérias-primas e de energia, além de potenciar a diversidade de produtos no mercado. Não sendo este o único caminho para a sustentabilidade, a digitalização é, certamente, o mais robusto e o que oferece maiores ganhos competitivos para as PME. 

 

Ana PiresCEO & Co-founder da Dimera